Pode causar terremoto no Game Awards deste ano, mas também no mundo dos RPGs: Expedition 33 deixou os estúdios japoneses sem escapatória

Apesar de ser francês, Clair Obscur é a essência dos JRPGs em si

Clair Obscur: Expedition 33 é um JRPG mesmo sendo francês e não japonês. Isso se olharmos pelo lado de que o gênero, com J, é quase mais um conjunto de regras do que uma indicação de sua origem. E uma das coisas que mais intriga desde o lançamento do game é saber o que os grandes criadores de JRPGs acham depois de jogá-lo. Principalmente após ver a ótima recepção que teve entre públicos de todos os tipos, mesmo aqueles que não são grandes fãs de combate por turnos. O legado do título da Sandfall pode ser ainda maior, já que brigará por prêmios no The Game Awards, inclusive na categoria Jogo do Ano (GOTY).

Quem está em uma equipe de desenvolvimento de JRPG tem a obrigação de analisar as chaves para o sucesso de Clair Obscur. O que impressiona é que não há uma resposta única. Apesar de ter chegado de “mansinho” até seu lançamento, Expedition 33 tem uma identidade visual rica, uma trilha sonora fantástica, personagens memoráveis, uma história que continua sendo debatida e reviravoltas que funcionam muito bem. E, claro, um sistema de combate que faz você se perguntar: como voltar ao combate tradicional por turnos, onde você não toca no controle quando seu oponente ataca?

Renovar ou liquidar?

É de certa forma comum achar que Final Fantasy XVI, por exemplo, não poderia ser outra coisa que não fosse ação em tempo real. Simplesmente, um jogo com uma exibição tão massiva de recursos não podia se dar ao luxo de voltar a ser baseado em turnos se quisesse vender milhões. Alguns fãs de jogos baseados em turnos se conformaram, já que ainda existem Trails, Persona e outros títulos do gênero. Mas o que alguém da Square Enix poderia estar pensando agora depois de ver como o jogo da desconhecida Sandfall alcança vendas maiores em um mês do que Final Fantasy XVI em meio ano?

Clair Obscur: Expedition 33 pode ter mostrado que existe um mercado de massa para esses jogos e que não há a necessidade de depender apenas de gráficos. É claro que não basta retornar à jogabilidade por turnos, também é preciso ter um design de combate verdadeiramente atraente e inovador. Final Fantasy VII Remake conseguiu isso de certa forma, mesmo de uma maneira um pouco diferente por ser um híbrido de ação e tática. E, talvez mais importante, é obrigatório voltar a contar histórias que realmente deixem uma impressão duradoura, como fizeram no passado. Final Fantasy XVI começou muito bem, mas perdeu fôlego.

Talvez outras franquias mais nichadas, como as citadas Trails e Persona, não mudem sua abordagem. Afinal, já estabeleceram sua fórmula e seu público. Uma mudança pode representar mais uma perda de fãs do que um ganho de novos adeptos. Até por isso, os olhos acabam se voltando mais para a Square Enix com sua colossal saga Final Fantasy do que para JRPGs mais “modestos”. O fato é que estamos vivendo algo muito único no gênero graças a um punhado de desenvolvedores franceses. E agora o resto da indústria não tem escapatória: eles precisam escolher como vão responder ao sucesso de Clair Obscur: Expedition 33.


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