The Wandering Village – Review

Perfeito para passar o tempo e ser o responsável pela (in)felicidade de uma vila inteira

The Wandering Village, título indie do Stray Fawn Studio, chama atenção pelo visual “estilo Ghibli”, mas surpreende pelo diferencial de permitir que o jogador tenha total poder de decisão sobre o futuro de sua vila e da vida do animal que a está carregando nas costas.

Para quem tem coração mole (como eu), é possível realizar uma gameplay que agrade a todos do vilarejo e mantenha a qualidade de vida do Onbu. Também há possibilidade de ser um líder que não se importa com o bem-estar dos seres vivos e pensa apenas em sobreviver a qualquer custo e lucrar com a situação, causando caos e destruição na vila ou na vida da criatura que a carrega. Bem, o que a minha maneira de jogar me ensinou foi: é impossível agradar a todos, e ir por uma caminho de decisões “corretas” pode obrigar o jogador a tomar decisões que não eram consideradas uma possibilidade no início do jogo.

Comece sua vila do zero

Assim que entramos em The Wandering Village, um pequeno vídeo começa a introduzir a história e explicar, de certa forma, como o mundo começou a ser assolado por um perigo iminente. Mais tarde, descobrimos que o perigo são plantas venenosas que liberam “esporos tóxicos” que se fundem com a atmosfera e matam seres vivos com suas toxinas.

O jogo se passa justamente nesse mundo pós-apocalíptico, onde uma vila achou segurança nas costas de um Anbu, criatura que era considerada extinta por muitos e idolatrada por vários. A vila errante fica sob o comando de um líder, que é justamente o jogador. No entanto, é importante ressaltar que o Onbu e o mapa ao redor dele também devem ser levados em consideração.

Modos de visualização

Poder visualizar o jogo de diferentes pontos de vista é algo que chama atenção. Desde chegar bem perto dos aldeões até enxergar o mapa completo, o jogo oferece a possibilidade do jogador mover a câmera como desejar. A arte encanta com detalhes que podem ser apreciados a todo momento e que trazem um certo tipo de paz no meio do caos que é gerenciar um vilarejo que não para de crescer.

A vila em si possui dois tipos de câmeras diferentes: uma que se aproxima bastante da aldeia e outra que oferece uma visão geral das construções e dos arredores (não julguem minha vila, eu estava no início do jogo).

Outro jogo de câmera oferece uma visão completa do Onbu. O visual é impressionante, além de ser possível apreciar (ou desprezar) o bioma presente no momento. Já que a vila está em constante movimento — tirando os momentos em que o Onbu precisa descansar —, diversos biomas são apresentados no decorrer do jogo. Esse detalhe é muito importante, pois pode mudar todos os planos já definidos pelo jogador.

O último jogo de câmera possibilita ver o mundo ao redor do Onbu e quais caminhos são possíveis percorrer — mas não é tão simples decidir para onde ir quando se chega em uma interseção, já que vai depender muito do humor da criatura que está levando a vila nas costas e da confiança dela em seus comandos para deixar você liderar o caminho. Caso o Onbu esteja disposto a obedecer o jogador, é melhor planejar bem e prestar atenção aos arredores para não cometer alguns erros (como eu cometi).

Sobre os biomas e locais pelos quais o Onbu passa, existem alguns que estão extremamente contaminados e precisam de rapidez na hora de tomar decisões, pois o Onbu vai estar sofrendo e a vila vai estar um caos. É engraçado (e um pouco desesperador) tentar atravessar rápido por lugares assim, sendo extremamente necessário prestar atenção no bioma que está vindo a seguir.

Por estar com pressa, não deixei meu Onbu descansar, considerando que ele teria muito tempo para isso quando saíssemos de uma área de perigo. O meu erro foi não ter considerado que o próximo bioma seria um lugar com apenas água, no qual a criatura só poderia nadar. As decisões que tomei quase matou (literalmente) o meu Onbu de cansaço.

Essas mudanças também afetam o clima e, consequentemente, a alimentação da aldeia. Se não quer que aldeões morram de fome, é melhor estar preparado para todos os biomas (e também para o tanto de problema que vai aparecer). Isso é ensinado no tutorial e aprimorado quando somos apresentados novamente aos biomas específicos. Como é uma vila errante, a mudança é constante.

Mesmo assim, não saber o que aguarda além do que é possível observar no espaço limitado ao redor do Onbu faz com que o futuro da gameplay não seja uma linha linear, podendo ter várias oscilações e novos desafios que tornam tudo mais interessante.

Modo história

The Wandering Village oferece 3 modos de jogo, sendo o modo história o mais ideal para começar. Um casal de velhinhos — Waltraud e Theodor — vai ajudar nessa fase inicial, trazendo um tutorial e dicas do que você pode fazer. Lembrando que o futuro da vila está em suas mãos, então o jogo oferece opções de escolha mesmo com alguns aconselhamentos do que se deve fazer.

Durante o tutorial, somos apresentados ao centro de pesquisas, com esquemas contendo tecnologias antigas que podem auxiliar (ou prejudicar) o crescimento da vila e a relação do jogador com o Onbu. Como é possível ver desde o início, existem diversas opções — como, por exemplo, o disciplinador de Onbu, que ocasionará na falta de confiança da criatura em você, e também o sacrifício de Aldeão, que fará com que seus aldeões tenham uma reação interessante em relação a um possível culto que se formará. Outro que me chamou atenção foi a possibilidade de extrair sangue ou bílis da vesícula biliar do Onbu. Ou seja, tudo para benefício próprio, sem se preocupar com a saúde da criatura.

No entanto, também é possível pesquisar tecnologias e estruturas importantes para a segurança e bem-estar tanto da aldeia quanto do Onbu, não sendo necessário seguir apenas um caminho predefinido. Resumindo, o jogo apresenta um sistema de moralidade que pode afetar o desenvolvimento da história.

Logo no início do modo história, é oferecida a opção de reconstruir uma torre de antena que dá início a uma comunicação com pessoas de diferentes lugares, incluindo Nona, uma pesquisadora interessada na vila e que consegue se comunicar com os aldeões através de transmissões. Com o objetivo de achar uma solução para o que está acontecendo no mundo, a mulher conta com a ajuda do vilarejo errante para concluir algumas missões e auxiliar em seu objetivo.

Não é fácil lidar com tudo ao mesmo tempo, exigindo um grande esforço para tentar deixar tudo sob controle. Alguns recursos também são bem escassos, dificultando ainda mais a gameplay. Isso tudo resulta na insatisfação dos aldeões, que consequentemente ocasiona na dificuldade de chegada de novos nômades na vila e atrapalha o progresso do jogo. Nesse casos, o jogador pode chegar a um impasse, precisando de mão de obra para melhorar a qualidade de vida dos que moram ali, mas não tendo como atrair mais ajuda de fora. Assim, a única solução é pausar o jogo e analisar a fonte do problema com calma.

Até os mínimos detalhes, como decoração e festivais, contam para evitar que o caos se instaure no vilarejo, podendo ser um pé no saco para quem quer focar em um objetivo maior.

Mais decisões — uma porta para o progresso ou para a destruição

Como o mapa também faz parte do gerenciamento, alguns lugares estão disponíveis para serem explorados por aldeões, aumentando a chance de conseguir os recursos essenciais. O jogador decide os lugares para onde os grupos serão enviados, tendo como base a necessidade de um material específico ou o cumprimento de uma missão.

Durante algumas explorações, decisões importantes vão ter que ser tomadas, algumas colocando até mesmo a vida de exploradores em risco. Se o jogador estiver passando por dificuldades em relação a escassez de mão de obra e em manter todas as necessidades da aldeia em ordem, as decisões se tornam decisivas, causando um impacto maior na gameplay.

Trilha sonora que combina perfeitamente com a atmosfera do jogo

A trilha sonora — junto com os visuais — é um dos pontos altos de The Wandering Village, ajudando a construir o clima durante momentos de calmaria e de tensão do jogo. É possível perceber que, apesar de ser uma gerenciador de cidade, o título consegue trazer emoção ao fazer com que o jogador esteja imerso na gameplay.

O Veredicto

Além de ser um gerenciador de cidade com um visual de tirar o fôlego, The Wandering Village oferece uma experiência imersiva com uma narrativa que desperta curiosidade, um sistema de moralidade super interessante e uma trilha sonora encantadora.


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